Av. Dr. Cristiano Guimarães, 630 - Planalto, Belo Horizonte - MG
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Ainda meditando na palavra de domingo!

Já estudamos as bem-aventuranças que descrevem o caráter do cristão.

Agora Jesus enfatiza a necessidade do cristão exercer influência para o bem no mundo ao seu redor.

Que influência devemos exercer num mundo tão cheio de mal, corrupção e violência?

Para definir a natureza dessa influência, Jesus usa duas figuras comuns do lar – sal e luz.

Qual é o lar, por mais pobre que seja, que não usa tanto o sal como a luz? Sal e luz são itens indispensáveis em qualquer lar.

I – VOCÊS SÃO O SAL DA TERRA (Mt 5.13)

  1. A função do sal (v.13)

No mundo antigo, o sal era algo de muito valor.

O sal tem, pelo menos, três características.

a. Sal é tempero que – dá sabor à comida – essa é a característica mais conhecida.

Já pensou comida sem sal?

É tão insípida, como o próprio Jó reconheceu ( Jó 6.6)!

A influência do crente no mundo deve ser como o sal para a comida – a presença do crente dá um novo sabor ao ambiente no escritório, na faculdade, na fábrica, etc.

Será que a nossa presença tem essa influência positiva?

Infelizmente, muitas pessoas consideram que o crente tira o sabor da vida.

b. Sal é preservador – evita a putrefação

– no mundo antigo o sal era o preservador mais comum.

Antes da invenção da geladeira, o sal era usado para preservar a carne e o peixe do apodrecimento.

Até hoje é usado na tão conhecida carne-de-sol do Nordeste.

Assim, se o crente vai ser “o sal da terra”, deve ter uma influência antisséptica no mundo.

A presença do crente deve evitar o progresso do mal, derrotando a podridão ao seu redor.

É uma tragédia que a igreja evangélica, representando 20-25% da população brasileira, não tem exercido influência maior para o bem no meio político, sindical e social, como o verdadeiro “sal da terra”. “Os cristãos foram colocados por Deus numa sociedade secular para retardar esse processo de podridão.

Deus pretende que penetremos no mundo. O sal cristão não tem nada de ficar aconchegado em elegantes e pequenas despensas eclesiásticas; nosso papel é o de sermos ‘esfregados’ na comunidade secular, como o sal é esfregado na carne para impedir que apodreça” (Stott).

c. Sal é ligado à pureza – não há dúvida que sua brancura brilhante fez essa ligação fácil.

Os romanos diziam que o sal era a coisa mais pura de todas as coisas, porque veio das coisas mais puras, o sol e o mar.

Se o crente vai ser “o sal da terra”, tem de ser um exemplo de pureza.

Uma das características da sociedade em que vivemos é o rebaixamento dos padrões de pureza. Não há mais restrições na área moral – sexo antes de casamento é normal, e infidelidade no casamento é comum.

Os filmes com cenas de sexo explícito na TV e no cinema, as piadas sujas na fábrica e no escritório são áreas nas quais o crente tem de demonstrar sua pureza.

Quando o crente está presente, os colegas param de contar as piadas duvidosas, a TV é desligada.

Em outras palavras, o crente deve ser mais corajoso na condenação do mal. “Às vezes, os padrões de uma comunidade afrouxam-se por falta de um explícito protesto cristão” (Stott).

O crente não pode se retirar do mundo, mas deve “a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tg 1.27).

E isso não é nada fácil. O crente é “chamado a ser um purificador moral em um mundo onde os padrões morais são baixos, instáveis, ou mesmo inexistentes” (R.V.G. Tasker).

  1. A eficácia do sal (v.13) A eficácia do sal é condicional.

Para continuar a ser útil, o sal tem de conservar a sua salinidade.

É um fato que o sal não pode perder sua qualidade de salinidade.

John Stott explica que “o cloreto de sódio é um produto químico muito estável, resistente a quase todos os ataques. Mas provavelmente Jesus está alertando Seus discípulos de que o sal pode se tornar adulterado por impurezas e, quando isso acontece, “para nada mais presta”.

A mesma coisa pode acontecer aos discípulos.

A salinidade do crente vem do seu caráter descrito nas oito bem-aventuranças; se não servem ao Senhor pelas suas boas obras, se tornarão inúteis e serão rejeitados.

O problema, muitas vezes, é que o crente se deixa contaminar pelas impurezas do mundo, e, por isso, perde a sua capacidade de influenciar.

a. É irrecuperável – “como lhe restaurar o sabor?” Não há remédio para o sal sem sua salinidade.

b. É inútil – “para nada mais presta.”

c. É condenado à destruição – “lançado fora, ser pisado pelos homens.”

Não há dúvida a respeito da verdade que Jesus está ensinando. Se não estamos sendo úteis, então seremos jogados fora. Inutilidade sempre traz desastre. E não se esqueça! O crente é sal, e não açúcar!

II – VOCÊS SÃO A LUZ DO MUNDO (Mt 5.14-16)

Luz é uma figura muito importante nas Escrituras. “Deus é luz” (1Jo 1.5). Isaías 9.2 fala da vinda de Jesus: “O povo que andava em trevas viu grande luz”.

A missão de Israel era ser “luz para os gentios” (Is 42.6; 51.4-5). Paulo nos lembra que “o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo” (2Co 4.4).

  1. A função da luz (v.14-15) É interessante que Jesus convoca Seus seguidores a ser aquilo que Ele mesmo é – “Eu sou a luz do mundo” ( Jo 8.12).

Aqueles que permanecem em Cristo, a verdadeira Luz, são também luz. A luz de Jesus, brilhando neles, aparece em cada rosto, nas palavras, nas ações, e ilumina o mundo ao redor.

a. A luz deve ser vista – As casas na Palestina eram bastante escuras, com uma abertura pequena que servia de janela.

A posse da luz de Cristo faz com que Seus discípulos sejam visíveis, como uma “cidade edificada sobre um monte”, que pode ser claramente vista a quilômetros de distância.

Os crentes não podem se esconder e deixar de brilhar para Cristo.

Esse texto enfatiza que não pode haver discípulos secretos.

A nossa fé deve ser vista na maneira pela qual tratamos o balconista na loja, a doméstica em casa, o porteiro no prédio, o empregado no serviço.

b. A luz dissipa as trevas – Paulo, ao escrever aos filipenses, enfatiza sua função: “Inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp 2.15).

O mundo não pode permanecer nas trevas.

c. A luz avisa do perigo – revela os perigos que nos cercam neste mundo tenebroso.

d. A luz é um guia – “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para os meus caminhos” (Sl 119.105).

Pelo nosso testemunho brilhante, dirigimos muitos no caminho certo.

e. A luz deve brilhar no MUNDO – é bom observar que o lugar onde devemos brilhar para Jesus é o mundo, onde as trevas dominam.

Jesus não disse – “Vós sois a luz da igreja”, mas “Vós sois a luz do mundo”.

  1. O resultado da luz (v.16)

a. Outros podem ver as nossas boas obras – Jesus esclarece que as nossas boas obras são essa luz.

Essa expressão abrange tudo o que o crente faz e diz, demonstrando sua fé cristã.

Em outras palavras, refere-se ao seu testemunho diário.

b. Outros podem glorificar ao nosso Pai nos céus – Nossas boas obras não devem chamar a atenção para nós, mas para Deus. “Quando os homens veem tais obras, disse Jesus, glorificam a Deus, pois elas encarnam as boas novas do Seu amor que nós proclamamos” (Stott).

Não há dúvida que Jesus está enfatizando que deve haver uma diferença fundamental entre o crente e o não crente, entre a igreja e o mundo.

Diz Stott: “Este tema é básico no Sermão do Monte.

O Sermão foi elaborado na pressuposição de que os cristãos são por natureza diferentes, e convoca-nos a sermos diferentes na prática.

Provavelmente, a maior de todas as tragédias da igreja ao longo de sua história … tem sido a sua constância de conformar-se à cultura prevalecente, em lugar de desenvolver uma contracultura cristã”.

Assim aprendemos que fomos colocados no mundo com este papel duplo: como sal, para interromper, ou pelo menos retardar este processo da corrupção moral e espiritual, e como luz, para desfazer as trevas.

John Stott resume a função do crente da seguinte maneira: “Jesus chama os Seus discípulos para exercerem uma influência dupla na comunidade secular: uma influência negativa, de impedir a sua deterioração, e uma influência positiva, de produzir a luz nas trevas. Pois impedir a propagação do mal, é uma coisa; e promover a propagação da verdade, da beleza e da bondade é outra”.

Vamos salgar e iluminar no império de cezar!

Pr. Rogério Moreira

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